Skip to content

Significando o Léxicon

22/04/2012

É certo que quem assume o gosto pela escrita deve encarar certos conselhos óbvios: há de se ler muito, há de se ter inspiração, há de se escrever corretamente, há de se corrigir o próprio texto e chavões afora. Porém, um sábio conselho que dificilmente comenta-se e dá-se valor é o uso de dicionários. Creio que há poucos elementos “obrigatórios” na escrita. Talvez o único seja a consulta permanente àqueles. A sua utilização vai muito além de conhecer o significado puramente denotativo das palavras, ou saber a grafia correta das mesmas (no caso dos dicionários de línguas). Os dicionários podem definir usos diferentes da mesma palavra através de exemplos, possibilitando a seu autor cercear melhor o próprio texto; trazem definições como o gênero, a classe gramatical e a formação do plural dos vocábulos, noções importantes para o emprego correto de preposições e artigos; definem alguns sinônimos (e antônimos, por vezes), possibilitando a permuta vocabular e evitando assim repetições, cacofonias, ambiguidades. Não é exagero, muito menos extravagância, possuir vários dicionários, até porque, há uma considerável variedade e tipos de obras nessa classe. Obras que demoram anos para ficarem prontas (a primeira edição do Grande Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa demorou 16 anos para ficar pronta). Para quem deseja se aventurar no labirinto da escrita, ou para quem já está conscientemente perdido nele, é sempre assertivo ter a companhia de um dicionário. Seja o mini, a versão estendida ou o dicionário eletrônico, é sempre conveniente mantê-lo por perto. Elenco aqui alguns dicionários que são ótimas companhias e fontes produtivas de consulta a quem escreve por hobby, trabalho, mania ou pelo simples e delicioso prazer da escrita.

Minidicionário Houaiss da Língua Portuguesa (Objetiva: 2009): Produzido pelo Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia (IAH), a versão mini do “maior e mais completo dicionário de língua portuguesa” (revista Época) é uma prática e econômica maneira de consultar os vocábulos mais usuais da língua. Possui mais de 30 mil palavras e locuções, além de trazer noções básicas de gramática e uma pequena enciclopédia. Um pequeno diferencial: algumas entradas trazem também seus respectivos antônimos. Apesar da recente polêmica envolvendo os dicionários do IAH acerca da definição da palavra cigano, o Houaiss ainda é uma ótima e segura referência para consultas e pesquisas.

Dicionário Houaiss: sinônimos e antônimos (Publifolha: 2008): Outra publicação do IAH, carrega dentro das mais de 850 páginas definições de sinônimos e antônimos de cerca de 20 mil palavras. O ponto alto desse dicionário é a divisão por acepção da palavra, quer dizer, cada entrada traz os diferentes sentidos daquele vocábulo na língua, seguido de seus respectivos sinônimos e antônimos. Esse é um diferencial importante se considerarmos válidos os diferentes usos das palavras. Ponto forte do próximo dicionário.

Dicionário de usos do Português do Brasil (Ática: 2002): Esse grande dicionário idealizado pelo linguista Francisco da Silva Borba é uma espécie de catálogo da língua escrita no Brasil na segunda metade do século XX, como o próprio editor afirma em nota que abre o dicionário. Para o audacioso projeto, Borba e seus colaboradores partiram de um corpus da língua escrita no Brasil a partir de 1950, ao qual contemplam desde a prosa literária brasileira até textos jornalísticos, do mesmo período. Reúnem assim mais de 70 milhões de ocorrências, contemplando acepções até então não dicionarizadas e incluindo inúmeros vocábulos. Dicionário rigorosamente de estudo, porém não exclusivamente, o Dicionário de Usos é uma ferramenta eficaz para quem procura designar às palavras do próprio texto um sentido mais específico, ao mesmo tempo, completo.

Dicionário de Simbologia (Martins Fontes, 2003): Organizado por Manfred Lurker, especialista em dicionários de mitologia clássica, a obra apresenta os significados de milhares de símbolos dentro da mitologia, política, literatura, religião, artes plásticas, designer, psicologia dentre outros. O que o distancia dos dicionários tradicionais de símbolos é o caráter explicativo das entradas, ou seja, Lurker se preocupou em trazer, além da definição, uma explanação contextualizada de cada vocábulo. Indispensável para quem escreve sobre as ciências humanas, esse dicionário une ótima abrangência vocabular à variadas definições simbólicas.

Dicionário de Verbos (Objetiva: 2011): Da mesma família dos clássicos dicionários de regência, o Dicionário de Verbos da professora Vera Cristina Rodrigues Feitosa é um amigo fiel para quem gosta de garimpar o texto corrigindo os pequenos e imperceptíveis deslizes preposicionais e verbais de escrita. Traz paradigmas de conjugação de 14 mil verbetes, além de um anexo com exemplos dos principais verbos. O ponto forte do dicionário são as definições do uso de preposições para cada verbo (regência verbal), o que facilita imensamente o trabalho de quem escreve.

léx;ico: Não só de papel vivem os dicionários. Há inúmeros e ótimos dicionários on-line de língua portuguesa. O português léx;ico possui mais de 300 mil palavras e traz, além da definição denotativa, gênero, plural, sinônimo e a classe gramatical a que pertence o vocábulo. Alguns são exemplificados com trechos de obras literárias.

Conjuga-me: Uma espécie de dicionário virtual de regência, apresenta interface simples e de fácil acesso. Traz a conjugação de milhares de verbos em todos os tempos dos três modos verbais, assim como os respectivos gerúndios e particípios passados.

Dicio: o Dicionário Online de Português (Dicio) é mais uma alternativa virtual de dicionários. Conta com mais de 400 mil palavras com seus respectivos significados, sinônimos e rimas. Além de exemplos usuais, apresenta também textos retirados da imprensa para mostrar os usos sociais de determinada palavra. Algumas informações acessórias são irrelevantes (contagem do número de letras, vogais e consoantes do vocábulo e a sua escrita ao contrário). Um ponto forte do Dicio são os verbos. Além da conjugação em todos os tempo e modos, na página de cada verbo encontra-se informações interessantes como o tipo do verbo, seu infinitivo, gerúndio e particípio passado.

Dicionário inFormal: Hospedado no portal R7, esse dicionário apresenta proposta corajosa e um slogan que, em certos redutos linguísticos, soa provocativo: “o dicionário onde o português é definido por você!”. Como em uma enciclopédia virtual, o inFormal pretende abranger os significados de suas entradas desde as formais definições dicionarizadas até os usos que os falantes fazem dos vocábulos. Apesar de não ser um dicionário formalmente científico, é interessante pesquisar em seu banco de dados para conhecermos mais dos usos linguísticos que muitas vezes não conhecemos. Isso pode ser útil no processo de escrita, para que não haja dualidades nas palavras utilizadas (ou para que propositalmente haja).

Claro que há muitos outros dicionários importantes que não foram elencados aqui. O Dicionário de Filosofia de Nicola Abbagnano (Martins Fontes: 2007), o Dicionário de Palavrões e Termos Afins de Mário Souto Maior (Leitura: 2010), O Léxico de Guimarães Rosa de Nilce Santanna Martins (EDUSP: 2001), o Dicionário de Fernando Pessoa de Fernando Cabral Martins (Leya: 2010) são alguns exemplos do vasto e fascinante mundo dos dicionários.

No comments yet

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: