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Brava gente brava

07/09/2011

Lindo dia para um 7 de setembro! Calor seco e sol escaldante em Brasília, desfile cívico com protestos contra a corrupção em Mato Grosso do Sul, Alckmin e Kassab ausentes nas festividades da independência na capital paulista. Lindo, mesmo sem feriado prolongado! Em Maringá, tudo aconteceu na iminência: quase choveu, quase lotou, quase acabou a pipoca da vendedora ambulante, quase os cavalos se revoltaram, quase houve um desfile cívico.

Surpreendentemente, o protótipo de desfile começou no horário previsto, às 09:30 hrs. Supondo o fiasco que seria o evento, os organizadores lotaram a ala militar com soldados para compensar a mixaria das próximas alas. Resultado: um evento para a prefeitura mostrar os novos veículos adquiridos para a Secretaria de Serviços Públicos e para o transporte escolar (todos sem uso), a imensa frota de fiscais de trânsito e os uniformes dos estudantes das escolas municipais. Esses, aliás, que se amontoaram em uma ala única, demonstrando o imenso descompasso e falta de preparo para a apresentação, com suas bandeirinhas e faixas verde-amarelas que se moviam sem energia. Seguiram-se a banda da APAE, os escoteiros, os cavalos com seus cavalos da SRM e os carros antigos. Isso foi tudo em uma cidade com influências culturais de inúmeros países, com muitas comunidades, entidades e grupos civis bem articulados. Mas, ora, tratava-se de uma comemoração nacional! O que o brasão da cidade estava fazendo ali, insistentemente desfilando? O tema foi a bandeira brasileira: haviam dois ou três cartazes com a dita desenhada; não fosse por isso, o desfile seria atemático. Claro que a comunidade política compareceu em peso. O vereador Flávio Vicente sempre simpático e educado transitava livre, quase invisível. Ênio Verri, deputado estadual, aquele da doação da empreiteira Sanches e Tripoloni, demorou para chegar à arquibancada política; eram muitos eleitores para cumprimentar. Ricardo Barros, irmão do prefeito, Silvio Barros, também marcou presença (o que o secretário da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul estava fazendo lá, deixo vago). A deputada federal Cida Borghetti, esposa de Ricardo Barros, logo, cunhada do prefeito, estava esplêndida no modelito primavera-verão.

Acaba o desfile e a evacuação da Avenida XV de Novembro é imediata. Falando em evacuar, os cavalos que trotavam na avenida deixaram as suas marcas e o café da manhã pelo chão. Cientes da importância e influência sociopolíticas que têm na cidade, os equinos protestaram: depositaram, na frente da arquibancada política, o fértil e verde adubo pelo asfalto. Protesto, aliás, foi a palavra dessa manhã. A praça da prefeitura (próxima ao local do desfile) estava movimentada após o evento cívico. Contentes com o feriado, os maringaenses fizeram fila na barraca de pastel e encheram o estande da Expoflor. Em meio aos rostos contentes e flores coloridas, aparecem, silenciosamente, dois “Vs”; estavam entregando panfletos que protestavam contra a manipulação feita por certo meio de comunicação:

Os misteriosos mascarados já estavam infiltrados na massa quando ouvem-se vozes naturais e megafonicalizadas. Eram as entidades que não eram entidades de desfile, eram os partidários que não eram partidários da arquibancada, eram os estudantes que não eram estudantes de marcha. MST, PSTU, universitários da UEM com suas bandeiras, megafones, apitos e pandeiros tentavam expor aos feriadistas o lado nada florido da suja política “pé vermelho”. Independentemente do posicionamento político e ideológico do protesto, os problemas apontados pelos manifestantes (termo ruim, mas não achei outro) procedem e são pontos importantes para o debate político e conscientização coletiva. Para quem não conhece a cidade canção terá dificuldade em entender a importância que atos como esse têm para o contexto municipal. A cidade, apesar de jovem, tem uma agitada trajetória política: desvios de verbas, nepotismo, superfaturamento de obras públicas, desfalques na educação, saúde, segurança, moradia, tudo na mais perfeita impunidade.

Foi um 7 de setembro emblemático. Protestos em Salvador, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro, Campo Grande, São Paulo e em Brasília um detalhe curioso: foi proibido o uso de bandeiras e faixas de partidos políticos e sindicatos no protesto que reuniu cerca de 30 mil pessoas. Manifestações apartidárias (?) que simbolizam o desconforto universal da população estão crescendo pelo país. Interessante notar que tais manifestações ganham força pela voluntariedade popular e sinceridade dos motivos que levam as pessoas às ruas.

Isso tudo me fez lembrar/inventar/reinventar um aforismo: Esperto é o cavalo de desfile, que trota elegantemente enquanto espalha o seu adubo pela rua.

P.S.: você, atento leitor, deve estar tentando encontrar um sentido entre a imagem usada no panfleto e esse post, não? Bem, essa explicação renderia outro post, mas presumo que pode, resumidamente, ser expresso por esta reportagem.

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