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Sobre a bestialidade II

02/05/2011

Digitando “os” no Google a primeira sugestão é Osama Bin Laden com aproximadamente duzentos e setenta e nove milhões de páginas. A notícia de sua morte não completou nem 12 horas e o Wikipédia já trazia, na página do fundador da Al-Qaeda, a data e o local de sua morte: Abbottabad, 1 de maio. Mais rápido que isso foi o ato patriótico dos norte-americanos. Milhares de pessoas foram às ruas festejar mais uma vitória da potência ocidental. A pergunta é: estavam festejando o quê? A impressão é de que o único terrorista que existia no planeta era Bin Laden (me recuso a usar o termo terrorista só para o “vilão” dessa história; fica marcado o incômodo).

O fato ainda é muito controverso, mitos já surgiram. Primeiro, a dúvida se Bin Laden, de fato, morreu. As fotos podem ser montagem e o corpo ainda não foi apresentado. Os militares responsáveis pela operação em Abbottabad dizem ter jogado o corpo no mar para cumprir uma tradição islâmica. No entanto, segundo Abdel Moti Bayumi, especialista em estudos islâmicos da Univerdade de Al-Azhar, os militares contrariaram a sharia, lei da tradição islâmica que considera “pecado” o lançamento de corpos ao mar. Outros veículos de comunicação divulgaram que os militares temiam a criação, por parte dos extremistas, de uma rota de peregrinação em homenagem a Osama Bin Laden. Ora, é evidente o tamanho da ignorância desse exército em afirmar o cumprimento de uma tradição sem nem conhecê-la (cara pálida respeitar cultura do outro? conta outra).

Ironia maior ainda é a morte do inimigo número 1 dos Estados Unidos acontecer na época em que o presidente Barack Obama anuncia sua candidatura às próximas eleições em 2012, em um momento em que é atacado até mesmo pelos fiéis eleitores de 2008, insatisfeitos pela recuperação lenta da economia e o fracasso da guerra no Afeganistão. Na noite de sábado (30), Obama apareceu com sorriso largo e gracioso em jantar de gala em Washington. Em pronunciamento, ironizou seu provável rival republicano Donald Trump (que estava no evento), dizendo que se o magnata ganhar, vai transformar a Casa Branca em um imenso cassino. Há algumas semanas atrás, Trump provocou Obama duvidando de sua nacionalidade. Em resposta, o presidente disse a ele: “(Trump) finalmente pode voltar a se focar em assuntos que realmente importam, como, ‘Nós forjamos a chegada à Lua?’, ‘O que realmente aconteceu em Roswell’ e ‘Onde estão Biggie e Tupac’ “. Foi lindo ver Obama superman com suas cartas na manga!

Não importa se Bin Laden morreu ou não. Não importa se foi tudo forjado ou não. O que importa são as consequências que o acontecimento trará nos próximos meses. Segundo documento publicado no site Wikileaks no dia 25 de abril deste ano, a Al-Qaeda fez ameaça de bomba nuclear caso seu líder fosse capturado.  Ainda segundo o documento, a organização fundamentalista possui, em alguns pontos da Europa, um “engenho nuclear” pronto para explodir.

Eles querem, realmente, continuar com o placar?

Parece que os cara pálida ainda não entenderam a gravidade do problema em que estão se metendo. Hoje, aquela música do Green Day me faz mais sentido: “Don’t wanna be an American idiot/Don’t want a nation under the new midia/And can you hear the sound of hysteria?/The subliminal mind, fuck America”.

Sempre achei estranho os seriados de TV vindos de lá. Eles riem de coisas tão imbecis!

4 Comentários leave one →
  1. 02/05/2011 23:55

    Logo que li que Osama morreu tuitei: o mundo ficou um pouco melhor. Mas em seguida comecei a pensar nas consequências e certamente elas virão. Os fanáticos de lá retalirão e os de cá, que darão o troco numa guerra que não tem fim.

    Achei estranho as pessoas comemorarem como se fosse um jogo de futebol, um campeonato, mas aquelas pessoas na praça são de menos. Muitas delas ofendidas com o ataque que sofreram e as perdas inomináveis.

    Pior mesmo é ver que o povo lá, cá e acolá são facilmente manipulados e isso inclui os brasileiros.
    As elites mundiais de negócios excusos estão dominando. Num jogo de interesses do qual vemos uma pontinha tão mínima, mas o suficiente para desanimar.

    Esperança palavra que se torna desbotada.
    Paz palavra ridicularizada na boca de todos.
    Dinheiro, qual país não se vendeu? Que o diga o casamento real com a presença de 8 ditadores árabes.

    É, veremos muita porcaria ainda.

    • 03/05/2011 12:55

      Mário de Andrade estava certo: a verdadeira identidade do brasileiro é Macunaíma “- Ai, que preguiça!” (com o avanço dos anos, o mundo também se Macunaimizou). O irônico é que as evidências nunca estiveram tão evidentes como agora! Mas o impasse ainda é o preconceito, aquela visão metropolitana de olhar para outra cultura com espírito de superioridade divina. Infelizmente se apoderam de Deus e acham que Ele escolhe pessoas, assim, fazem as honras e se encontram no direito de matar em função disso.
      ai, que preguiça!

      • Tânia permalink
        08/05/2011 14:47

        Parte é preguiça pura e outra parte é pura putchiaria, né?

        Olhando essa foto do Bin Laden… quem fez isso brincou no paint, rsrs. Morto? Queria ver as fotos reais, verdadeiras e indubitáveis.
        Mas… temos que engolir essa história mal contada.

  2. 02/05/2011 23:58

    O pior é que todos falam em nome de Deus. Se eu fosse Deus soltava uns raios na cabeça deles toda vez que estivessem usando seu nome.

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