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A ironia da violência

16/04/2011

As novas fotos de Wellington Menezes de Oliveira foram divulgadas pela imprensa. As manchetes são coerentes com a ideologia encontrada no material em questão. A motivação do crime foi, de fato, bullying. Assunto, como eu já disse, discutido de forma leviana, superficial e sem muita importância pelos pais, amigos e pela escola. Quando o fato é exposto “da forma mais radical”, vejo pessoas discutindo religião, segurança escolar, verbas públicas e outras desculpas para falar de alguma atualidade.

Mas as ironias do mundo não dão descanso nem no fim de semana! Capa da Folha de São Paulo, sábado, 16 (acima): ao lado da gigante foto de Wellington, uma manchete francesa: “Após véu, oração na rua pode ser vetada na França”. Brasil e França unidos na capa da Folha e na intolerância ao outro!

O governo francês tenta “controlar” a imigração muçulmana através de medidas como a retirada da nacionalidade a quem praticasse a poligamia e a proibição do uso de véu nas escolas. Não conformado com o absurdo das atitudes, proíbe agora a manifestação religiosa (a França tem a maior população muçulmana da europa ocidental). O argumento é o de que a França está lutando pelo laicismo. Ora, o estado vai obrigar a não ter conduta religiosa? Qual a próxima medida? Explodir mesquitas e transformar a Europa em um novo campo de batalha?

A religião islâmica é a que mais cresce no mundo. Concomitantemente a esse crescimento, a intolerância à cultura oriental ganha mídia, governo e sociedade. Faça um teste: lembra quando você se referiu aos muçulmanos que passavam pela rua como “esses turcos” e o Ali El Adib como “aquele árabe”? Pois é.

Como muitos blogs de protesto dizem: a intolerância religiosa é o novo racismo. O quadro ficou crítico depois do fatídico 11 de setembro. Surgiu uma “xenofobia autorizada”, o mundo “sem fronteiras” acaba em Greenwich. O ensino preconceituoso não ensina que a base artística, arquitetônica, matemática, filosófica, astronômica vieram do oriente e que todas as outras sofreram significativa influência.

A mesma insignificância que o bullying tem na ideia coletiva, o muçulmano tem no mundo atual. Esperaram Wellington matar 12 crianças para perceberem que infância não é só sonho. Esperaram Osama derrubar o obelisco duplo para perceberem que o mundo não é só cristão. Mas insistimos…

One Comment leave one →
  1. Robson L. permalink
    19/04/2011 10:38

    A França sempre foi obstinada em separar religião da política desde a Revolução Francesa, já dizia Alexis de Tocqueville que este país sempre foi tão obcecado pela igualdade que acabou por se colocar acima da liberdade individual. Mas deixando a velha França um pouco prá lá e refletindo a respeito do conteúdo do texto do Gabriel, essa mania dos ocidentais de afirmarem que o mundo Islâmico é formado exclusivamente por fanáticos e que seu governo é manipulado pela violência e fé é uma total hipocrisia quando suponhamos a eleição de um candidato “ateu” ao cargo de presidente dos Estados Unidos. Será que ele ganharia? Aposto a minha vida que não. E no Brasil: o país de todos, só há uma religião? Nossa nação possui muitas crenças, porém existem bíblias e crucifixos nas paredes dos órgãos públicos quando deveria ostentar o manual básico do Estado laico que não consiste em favorece apenas um grupo. A intenção aqui não seria exagerar como na França numa verdadeira caça as bruxas da desigualdade, antes de tudo o respeito, em seguida os direitos iguais. Mas temos que nos ater ao fato de que existe o ápice de um bullying sutil no Brasil que está inserido nos Ministérios e Secretarias da vida que não nos damos conta.

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